As Mulheres Sempre serão Flores em Qualquer Estação da Vida



As mulheres sempre serão flores em qualquer estação da vida!

Algumas são botões, outras estão começando a florescer.
Há aquelas que são promessas de cores esplêndidas e as que já não têm mais o viço do início da floração.
Há mulheres Margaridas, coloridas e leves.
Há as que são clássicas como as Rosas e as Palmas.
As mulheres despojadas são Flores do Campo.
As requintadas são Tulipas e as raras são Orquídeas.
As Flores-de-Maio, são resistentes, resilientes, rústicas, discretas. Dizem até que dão frutos. O que sei é que quanto mais se dividem, mais se multiplicam e florescem no outono.
Este Blog é de todas elas, porque

As mulheres sempre serão Flores em qualquer estação da vida!

Em tempo: os homens tambem são muito bem vindos!

Flor de Maio


Essas são as Mais Belas Flores desse Jardim!

As Mais Belas Flores do Meu Jardim

terça-feira, 8 de março de 2011

As mulheres fazem a diferença numa relação



Numa ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saiu para jantar com sua esposa, Michelle, e foram a um restaurante não muito luxuoso, porque queriam fazer algo diferente e sair da rotina. Estando sentados à sua mesa no restaurante, o dono pediu aos guarda-costas para aproximar-se e cumprimentar a primeira dama, e assim o fez.

Quando o dono do restaurante se afastou, Obama perguntou a Michelle:

_Qual é o interesse deste homem em te cumprimentar?

E Michele respondeu:

_Acontece, que na minha adolescência, este homem foi muito apaixonado por mim durante muito tempo.

Obama disse então:

_Ah, quer dizer que se você tivesse se casado com ele, hoje você seria dona deste restaurante?

Michelle esclareceu:

_Não, meu querido, se eu tivesse me casado com ele, hoje ele seria o Presidente dos Estados Unidos.

Feliz Dia Internacional das Mulheres!

domingo, 6 de março de 2011

E Chegou o Carnaval!




E chegou o Carnaval!


Sempre idealizo o carnaval como um período de descanso, uma pausa para fazer tudo o que gosto e que não tenho tempo nos dias comuns.


Às vezes, ainda é muito difícil desacelerar, relaxar totalmente e não me cobrar colocar em ordem tudo o que sei que está pela metade ou fora do lugar.

 

Ontem mesmo me peguei brigando com a minha cabeça, enquanto tentava cochilar. Nossa, voces não tem idéia do tamanho da lista de tarefas que fiz!


Tinha de tudo: pintar o banco do jardim que não levou a segunda mão até hoje, revisar os textos do trabalho, pintar e hidratar meus cabelos e por último, mas não menos irritante, a idéia de reorganizar meus armários.


Dá para acreditar?


Acho que incorporei a "Neura da Cobrança" ou deixei ela me dominar ("Está tudo dominado!", tenho a impressão que essa música não é de carnaval...), sei lá.


Mas também temos que levar em consideração que este foi só o primeiro dia de folga e que eu ainda estou no período de adaptação!


Apesar de não gostar de carnaval, adoro dançar. Talvez seja por isso que entendo a folia, a vontade de "soltar a franga", de se exorcizar.


Mas hoje é outro dia.


Minha fantasia já está pronta, consiste basicamente em uma camiseta velhinha (daquelas que o tempo de uso vai amaciando devagarinho, sabe?), uma calça soltinha e uma rasteira confortável para completar.


Minha folia será me perder entre os filmes e livros sem pressa para me achar.

 

Quero "soltar a franga" experimentando a ociosidade e a preguiça sem me culpar.

 

E por fim, pretendo exorcizar qualquer pensamento sério, preocupante ou relacionado a trabalho para finalmente conseguir relaxar.


Acho que vou mandar a "Neura da Cobrança" pular carnaval no bloco "Que Merda é Essa?" e torcer para que ela se perca por lá.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Que é Bom ? O Que é Mal?




Um dia, toda a plantação de um velho agricultor foi destruída por uma tempestade. Seus vizinhos, compadecidos, foram visitá-lo, lamentando sua má sorte. Mas o sábio agricultor simplesmente respondeu: "Talvez sim, talvez não."

Como não havia o que colher e faltou-lhe comida, o agricultor mandou seu filho à cidade comprar alimentos. Chegando lá, o rapaz conseguiu fazer um bom negócio e voltou para casa com um magnífico cavalo. Os vizinhos logo comentaram a sua boa sorte por ter conseguido um animal tão maravilhoso, mas o velho agricultor simplesmente respondeu: "Talvez sim, talvez não."

No dia seguinte, enquanto cavalgava, o filho caiu do cavalo e quebrou a perna. Mais uma vez os vizinhos se compadeceram da má sorte do rapaz. Mas, ao ouvir os comentários, o velho sábio apenas disse: "Talvez sim, talvez não."

No dia seguinte, o exercito veio recrutar soldados para a guerra, mas como o filho do agricultor estava machucado, deixaram que ele permanecesse em casa com a família. Os aldeões ficaram surpresos com a sua boa sorte. Mas, como sempre, o velho sábio disse simplesmente: "Talvez sim, talvez não."

O velho agricultor percebia que nada na vida é absolutamente bom ou mal, e que tudo é relativo. O que parece bom de uma perspectiva, pode ser visto como mal de outra e, como o velho agricultor conhecia esse grande mistério, ele não julgava as circunstâncias. Mais recentemente, um outro homem sábio chamado Albert Einstein apresentou ao mundo a sua teoria da relatividade. Mas, apesar da Física Moderna ter, de modo geral, adotado e ampliado suas idéias, nós temos nos mostrado ainda muito lentos para assimilá-las.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nublada e Sujeita a Chuvas




Hoje acordei lagarta...

Lembram do post "Como Voce Acordou Hoje"? Pois é, acordei lagarta.

Tem dias em que mesmo estando um sol maravilhoso lá fora, você está nublada e sujeita a chuvas logo no início do dia...

Nestes momentos nunca sei devo olhar para fora, para tudo em minha vida que ainda está ensolarado, ou se olho para dentro de mim tentando dissipar o nebuloso, o instável, enquanto me encharco buscando aprender a dançar na chuva...

Afinal, querer que todos os dias sejam ensolarados faz tanto mal quanto aceitar que as nuvens, só porque o tempo passou muito rápido, devam encobrir para sempre a luz do sol em nossas vidas...

Têm momentos _como este_ nos quais sei que "estou chovendo no molhado", porque o que para mim é novidade, alguém já choveu e já passou...

Quero o sol de volta em minha vida!

Quero me iluminar por dentro e saber que o que parece instabilidade é só o passar do tempo.

Quero aproveitar o sol que abre este dia, mas não para ficar "queimadona" ou para desfilar o meu "corpixo" ansiando por olhares ou elogios.

Quero aproveitar o sol, nascendo como ele nasce à cada dia, de mansinho, displicente, sem precisar do olhar da gente para acreditar no seu calor...

Hoje acordei nublada, as chuvas em mim vieram em pancadas, mas isso é comum no verão...

Logo, logo o sol aparece matreiro, afinal estamos em fevereiro e não é hora dele me deixar na mão...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Anais Nin






"É preciso coragem para se forçar a ir onde nunca se esteve antes...testar seus limites...romper barreiras. E chegou o dia em que continuar espremido dentro do botão era mais doloroso do que desabrochar"
Anais Nin

O valioso Tempo dos Maduros - Mário Pinto de Andrade




Recebi esse texto lindo da minha querida prima Júlia e repasso para vocês.


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!"

 
Mário Pinto de Andrade
Escritor e político angolano, de nome completo Mário Coelho Pinto de Andrade.
(1928-1990)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Deusas do Sexo – Arnaldo Jabor



 A política está tão repulsiva que vou falar de sexo...

Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo. Quem ousa namorar a Feiticeira ou a Tiazinha. As mulheres não são mais para amar; nem para casar. São apenas para "ver".

Que nos prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones? Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os homens não estão preparados. As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas, enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de tanta gostosura. Os machos estão com medo das "mulheres-liquidificador".

O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas ou irmãs almejam ser (meu Deus!) é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a "Valentina", a "Barbarela", a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um hiperatômico tesão.

Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há. Os "malhados",os "turbinados" geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo narcisismo de mercado que as criou. Ou, então, reprodutores como o Zafir para o Robô-Xuxa.

A atual "revolução da vulgaridade" regada a pagode, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: super-objetos. Se achando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor, carinho e dinheiro. São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades. Mas, diante delas, o homem normal tem medo. Elas são "areia demais para qualquer caminhãozinho".

Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens. Eles vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas, engolindo sapos, sem o antigo charme "jamesbondiano" dos anos 60. Não há mais o grande "conquistador". Temos apenas os "fazendeiros de bundas" como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeur, babando por deusas impossíveis.

Ah, que saudades dos tempos das "bundinhas e peitinhos" "normais" e "disponíveis"... Pois bem, com certeza a televisão tem criado "sonhos de consumo" descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor (eu). Mas ainda existem mulheres de verdade. Mulheres que sabem se valorizar e valorizar o que tem "dentro de casa", o seu trabalho. E, acima de tudo, mulheres com quem se possa discutir um gosto pela música, pela cultura, pela família, sem medo de parecer um "chato" ou um "cara metido a intelectual".

Mulheres que sabem valorizar uma simples atitude, rara nos homens de hoje, como abrir a porta do carro para elas. Mulheres que adoram receber cartas, bilhetinhos (ou e-mails) românticos. Escutar no som do carro, aquela fitinha velha dos Bee Gees ou um CD do Kenny G (parece meio breguinha)... mas é tão bom!!! Namorar escutando estas musiquinhas tranqüilas.

Penso que hoje, num encontro de um "turbinado" com uma "saradona" o papo deve ser do tipo: - "Meu"..."o professor falou que eu posso disputar o Iron Man que eu vou ganhar fácil." "- Ah, meu...o meu personal trainner disse que estou com os glúteos bem em forma e que nunca vou precisar de plástica." E a música??? Só se for o último sucesso(???) dos Travessos ou Chama-chuva...e o "vai Serginho"???

Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixem que criem estereótipos! Não comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por natureza! Curta seu corpo de acordo com sua idade, silicone é coisa de americana que não possui a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e bonito por natureza. E se os seus namorados e maridos pedirem para vocês "malharem" e ficarem iguais à Feiticeira, fiquem... Igual a Feiticeira dos seriados de TV.

FAÇAM-OS SUMIREM DA SUA VIDA!!!

Arnaldo Jabor

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Das Trevas para a Luz




"Senhor! 
Ajuda-me a transitar:
Das trevas para a luz;
Da mentira para a verdade;
E da morte para a imortalidade."

(UPANISHADS)

Morreu de que? De Yoga



Voltei a fazer Yoga depois de um ano parada. Minha aula foi na quinta feira passada, nós já estamos no domingo e ainda sinto seus efeitos.

Voces não imaginam o que é isto!

Enquanto nossa professora vai indicando as posturas a serem feitas por nós, geralmente ela complementa com frases do tipo: "foquem na postura", "mantenham o abdômen presente", "respirem calmamente" e "o rosto deve transparecer a serenidade de Buda".

bom para vocês?

Pois para mim, não.

Neste momento confuso da minha vida, ainda consigo focar na postura, mas acho que é só, paro por aí.

Quanto ao meu abdômen, bem este está prá lá de presente em todos os momentos da minha vida, às vezes chega mesmo a ser inoportuno... Na verdade, eu diria que um dia eu já tive um abdômen _ o que hoje em dia chamam de "tanquinho". Hoje o que eu tenho mesmo é uma barriga!

Respirar calmamente e fazer cara de Buda, como assim?

Já notaram que quando fazemos um movimento que exige muito esforço, tendemos a prender a respiração?

Normalmente imaginamos que, prendendo a respiração, diminuiremos o esforço e teremos mais força. É automático.

Na Yoga acontece o mesmo, não sei se para ter mais força ou se para transcender de vez e nunca mais voltar a respirar...

Imagino logo o diálogo:

_Morreu de que?

_ De Yoga.

Pelo menos seria uma morte totalmente espiritual.

Quanto a fazer cara de Buda Meditativo, o máximo que consigo agora é uma cara de bunda necessitando de um curativo.

Para aqueles que nunca praticaram Yoga, juro que não tenho a intenção de desanimá-los, longe disto. Antes de ficar um ano parada, Yoga me proporcionou maior consciência corporal, flexibilidade, serenidade, construindo aos poucos um corpo sem dores, o que não me parecia mais possível. A Yoga desenvolve ao mesmo tempo corpo, mente (concentração e atenção) e espírito.

Dizem que nosso corpo tem memória e eu espero sinceramente que o meu não sofra de Alzheimer, pois obstinação eu tenho de sobra para reconquistar tudo isso.

Senhor, ajuda-me a transitar da dor para a flexibilidade!

Em Busca da Felicidade




Baseado em fatos reais o filme Em Busca da Felicidade conta a história de Chris Gardner, personagem de Will Smith, que emprega todo o seu dinheiro na compra de scanners próprios para realizar exames médicos a fim de melhorar a situação financeira da família. No entanto, não consegue vendê-los, o que leva sua esposa a fazer horas extras.

 

A situação da família chega a tal ponto que todas as contas _ aluguel, creche do filho, mercado, etc._ estão atrasadas. Não suportando mais a pressão, sua esposa o abandona, mas, à pedido de Chris, deixa o filho de cinco anos Christopher (Jaden Smith) com o pai.



 

Chris e seu filho passam por situações extremas como o despejo do apartamento em que moravam, uma noite assustadora quando usam o banheiro do metrô como refúgio, a busca por um lugar no abrigo público, entre outras.


O filme deixa transparecer que Chris é um homem bastante inteligente, que sempre esteve acima da média nos tempos de escola. Entretanto, antes de passar por essa situação crítica, sua inteligência parecia embotada pela monotonia que sentia em relação ao seu limitado dia a dia. É interessante notar que, assim que se vê sozinho com o filho, Chris consegue arrumar estratégias para vender os scanners encalhados, cuidar e educar o filho.


Mantendo sempre a esperança e demonstrando uma enorme força de vontade, Chris passa quatro meses de treinamento não remunerado a fim de conseguir uma vaga de corretor em uma grande empresa.

 

As atuações de Will Smith e Jaden Smith, pai e filho na vida real, são emocionantes. O filme é uma verdadeira lição de sobrevivência e obstinação, que nos mostra o quanto é importante ter um foco na vida, uma meta a alcançar e principalmente nunca desistir diante das adversidades.

 

Vale à pena assistir!  




domingo, 6 de fevereiro de 2011

Nietzsche




"Daquilo que conheces e sabes é preciso que te despeças de vez em quando.
Somente quando deixar a cidade e olhá-la de longe é que verás a que altura as torres se elevam em relação às casas"
Nietzsche




 

Paciência: Qualidade ou Defeito?




Sempre fui uma pessoa paciente, calma. Lembro-me de uma vez quando a professora de minha filha, que tinha uns seis anos na época, pediu que os alunos escolhessem uma qualidade e um defeito que observavam nos seus pais. Eu não imaginava o que ela pretendia com esse exercício, mas o resultado me impressionou bastante. Para a minha filha, minha maior qualidade era a paciência, até aí tudo bem, afinal batia com a impressão que eu passava para a maioria das pessoas. Mas o defeito escolhido por ela bem, esse foi realmente revelador. Aos seus olhos de criança meu maior defeito era a paciência.

A princípio, tanto eu quanto a professora, achamos que ela não tinha entendido a questão. Talvez tivesse se confundido. Resolvi tirar a teima e perguntei-lhe diretamente:

_Querida, voce percebeu que colocou a mesma resposta nas duas perguntas feitas pela professora? Aquela sobre a maior qualidade e o maior defeito da mamãe, lembra? _ acrescentei para não ter espaço para qualquer dúvida.

_ É, eu sei. Respondeu ela com total confiança e economia de palavras.

_Então explica para mamãe, porque eu não entendi.

E ali recebi uma das maiores lições de minha vida através de uma menina de seis anos. Deixando sua boneca de lado, e mostrando-se um pouco impaciente com a minha ignorância, ela foi direta e certeira:

_ Mãe, paciência é bom, por isso é qualidade, mas quando é demais é defeito porque faz voce agüentar muita coisa chata. Entendeu?

Fiz que sim com a cabeça sem dizer uma só palavra e deixei-a com sua boneca. Eu estava estupefata, aparvalhada e totalmente chocada por ter minha personalidade tão bem definida por alguém daquela idade.

Ela tinha toda a razão. Eu nunca fui dessas mães que não colocam limites claros para seus filhos. Ao contrário, eu era regrada quantos aos seus horários, rígida com limites e em relação às noções de certo e errado, Mas, apesar de ser paciente com ela e ao mesmo tempo assertiva, ela tinha razão, já que eu não agia assim com os adultos ao meu redor.

Confesso que naquela época, na imaturidade dos meus vinte anos, fiquei "encucada" por um tempo para logo depois encarar minha maior qualidade e meu maior defeito como um elogio de filha.

Hoje, no "esplendor" da minha maturidade, consigo perceber quão séria era a observação daquela guria.

Talvez ela não tenha usado os termos certos. Também já era demais, não é?

Eu era paciente sim (qualidade), mas era muito pouco assertiva no mundo adulto (defeito). Usando uma expressão muito em moda atualmente, diria que "eu preferia ser feliz a ter razão".

É lógico que tudo o que diz respeito ao mundo das emoções deve ser avaliado e vivido em termos de quantidade e não de qualidade. Eu explico: amor (qualidade) é bom, mas tanto o excesso de amor, quanto a sua falta (quantidades) podem nos fazer muito mal. Assim, querer ter razão sempre e impô-la aos outros é péssimo. Por outro lado, abdicar sempre de discutir seus desejos e de expor os argumentos nos quais baseia seus ideais quando intui que eles poderão causar algum tipo de conflito, isso pode causar enfarto do miocárdio!

Mas, como a natureza é sábia e tudo é transitório, posso dizer que vivo hoje o luto da minha complacência, ou melhor, da minha displicência comigo mesma. Escolhi a palavra luto por achar que a palavra perda seria definitiva demais. Afinal me considero em transformação, não transformada ainda.

No desalinho hormonal que experimento, pude finalmente escutar a minha própria voz. Nem sempre consigo que ela atravesse minha boca de uma maneira suave, é verdade. Mas, para que uma grande transformação aconteça, às vezes é preciso visitar os extremos antes de se conseguir chegar ao meio termo, ao equilíbrio.

É claro que estou tendo que aprender a lidar com as conseqüências da minha mudança, já que os que me rodeiam nem sempre me reconhecem na "minha versão digitalizada". Confesso que muitas vezes eu também me espanto, mas aprendi que a boa convivência não pode existir sem discussão, troca de idéias e que isso não é sinônimo de conflito, confusão, oposição, mas de crescimento, respeito e união.

Hoje sei que quero ser feliz sem que, necessariamente, tenha que deixar de expor minhas razões para isso.

Selinho Presente


Este selinho vai para a Alinezinha do Blog  Muitas Coisas Por Aí 
Querida não repare, mas sou quase uma analfabeta digital e criei este selinho com os meus poucos conhecimentos. Eu só queria agradecer todo o seu carinho e dizer que acho o seu blog realmente especial em forma e, principalmente, em conteúdo.
Parabéns!
Beijinhos no seu coração



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Selinhos




Recebi este lindo selinho da Alinezinha do Blog Muitas Coisas Por Aí. Vale a pena visitá-la, seu blog tem um visual muito lindo e suas postagens são interessantes e sensíveis.
Obrigada querida!
Gostaria de dedicá-lo aos Blogs do meu coração:

 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Como Voce Acordou Hoje?






Nós mulheres costumamos ter múltiplas percepções de nós mesmas. Esse olhar múltiplo pode durar minutos, dias inteiros ou mesmo anos.


Tem dias em que a gente acorda Lagarta...


Sabe aqueles dias nos quais voce se arrasta por aí com uma moleza estranha e difícil de explicar? Sabe aquela "boca nervosa" que bate repentinamente e que você sente que precisa saciar para encobrir o vazio da alma? Pois é...


A lagarta é um bichinho feio que tem um monte de perninhas e mesmo assim parece não tê-las. Ela vive para comer e, se não fosse por isso, talvez jamais fosse percebida em qualquer jardim. Afinal, existem tantas coisas belas de se ver em um jardim, não é?


Quando acordamos Lagartas nos sentimos desleixadas, feias ou invisíveis. Esquecemos das possibilidades de mudança, ignoramos que talvez um dia nos tornemos borboletas, enfim não nos sentimos fazendo parte daquele jardim. É daí que vem o famoso vazio que tentamos preencher comendo tudo que vemos pela frente. Muitas vezes pensamos que agindo assim destruiremos aquele jardim irritantemente bonito e conseguiremos um pouco de paz.


É, pode até ser, se estamos falando da paz celestial... Afinal, quem é que nunca destruiu lagartas para salvar seu jardim?


Conclusão: comer o mundo não vai torná-lo melhor para você, você é quem pode não estar aqui para ver um mundo melhor!


Tem dias em que nos sentimos Flores...


São aqueles dias nos quais o espelho não é o nosso maior inimigo. Gostamos do que ali vemos, mesmo que seja uma flor de cactos. Temos companhia de outras flores, folhagens e arvores, Mas nos sentimos sós. Presas a um canteiro, um vaso ou a uma determinada fase da nossa vida. Nos momentos Flores, conseguimos perceber nosso viço, nossas possibilidades de crescimento, mas pode existir o medo de não conseguirmos nos libertar de nossas raízes...


E algumas vezes amanhecemos Passarinhos...


É quando o vôo é possível, a visão se torna mais ampla, somos capazes de construir o nosso ninho e a nossa família sem mantê-la em cativeiro, já que sabemos que mesmo os nossos filhotes um dia precisarão voar.


Acho que é só quando acordamos Passarinhos que a parceria é possível, pois nosso olhar sai do próprio umbigo e se volta para o mundo.


Como você acordou hoje?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Selinho: "Blogueira Educada"



A Flávia, do blog "Compartilhando Idéias", e a Eli, do blog "Simplesmente Eli", tiveram a idéia muito bacana de criar um selinho diferente: o selinho da "Blogueira Educada", com um link direcionado à postagem: A Arte de Comentar nos Blogs. Eu estive por lá e adorei aprender sobre as regrinhas de etiqueta para blogueiras, além de achar interessantes os comentários que li.
A indicação delas, é para que passemos a diante o selinho com o link
indicando de quem o recebemos e explicando um pouquinho sobre ele. Elas dão a seguinte idéia para a postagem:
O intuito deste selo fixo de campanha "Blogueira Educada" é promover a harmonia na blogosfera. No nosso dia-a-dia é natural seguirmos alguns padrões de boa conduta pelo bem de uma convivência calorosa e sadia. No mundo virtual isso também pode ser feito. Vamos espalhar pelos quatro cantos que a educação deve existir também no mundo dos teclados e que o respeito às idéias de cada blog deve estar acima de tudo. (falar sobre o link)

Mulher Cheia de Vida




"Recuse-se a ficar no cativeiro. Com os instintos aguçados para ter equilíbrio, salte para onde bem entender, uive à vontade, apanhe o que estiver à mão, descubra tudo o que puder, deixe que seus olhos revelem seus sentimentos, examine tudo, veja o que puder ver. Dance usando sapatos vermelhos, mas certifique-se de que eles sejam os que você mesma fez à mão. Voce será uma mulher cheia de vida"


Clarissa Pinkola Estés (in "Mulheres que Correm com os Lobos")

sábado, 8 de janeiro de 2011

Calçando os Próprios Sapatos




Li este conto dos Sapatinhos Vermelhos pela primeira vez no livro "As Mulheres que Correm com os Lobos", de Clarissa Pinkola Estés. Relendo-o agora vejo tantos outros significados que não pude perceber na ocasião...

Mas acho que é assim mesmo, lemos com o coração e não com os olhos. Hoje meu coração tem outro ritmo e outra visão da realidade.

Esta percepção me veio mais forte ainda no final do ano. Nesta época quase todas as emissoras de TV fazem a famosa "Retrospectiva Ano Tal", onde geralmente os acontecimentos mais impressionantes (leia-se terríveis) são novamente exibidos. Não sei, talvez esse tipo de programação seja feito com o propósito psicanalítico de Elaboração do Trauma, quem sabe?

Só sei que, enquanto a TV mostrava a "Retrospectiva 2010", eu fazia a minha própria retrospectiva. E aí vocês dirão:

_Grande coisa, quem não faz isso a cada fim de ano?

Eu. Eu nunca havia me preocupado em rever o ano que passei, nunca tinha me frustrado por aquilo que imaginei fazer e não fiz. Talvez por isso mesmo, nunca tenha entendido aquela depressãozinha que todo mundo diz que tem a cada fim de ano. Na minha cabeça, o que passou, passou. Disso tudo o que realmente me importava eram os aprendizados e os acertos, não os erros.

Mas, neste Réveillon...

Eu não fiz a Retrospectiva 2010, mas a retrospectiva da minha vida inteirinha!

Lembrei-me de cada detalhe, de cada sapatinho vermelho que confeccionei, antes de permitir que a vida me sugerisse sapatos mais sóbrios e eu conscientemente optasse por eles. Praticamente revivi os momentos nos quais estar com eles me deu imenso prazer, talvez até uma sensação de maturidade.

Mas ultimamente, tenho que confessar_ não sei se porque ando com os pés inchados por nunca tirá-los ou porque comecei a perceber que eles não combinam mais com meu estilo _ esses sapatos estavam ferindo muito os meus pés...

_E agora? Pensei.

A primeira alternativa que me veio, sendo uma mulher moderna, foi comprar sapatos reluzentes e bem vermelhos em uma boa loja do shopping. E lá fui eu. Cheguei a calçar vários modelos, todos lindos. Entretanto, quando dava mais que alguns passos ainda dentro da loja, percebia que não eram o que eu buscava. Da euforia que sentia ao olhá-los na vitrine ou nos pés de outras mulheres tão belos e perfeitos, eu passava rapidamente a frustração por não calçarem tão bem em mim. E logo me vinha a pergunta:

_O problema sou eu ou os sapatos?

Eu queria encontrá-los para a passagem do ano e, assim, continuei a minha busca frenética até os últimos minutos. Em função dessa correria toda, deixei até de cumprir com os meus rituais normais de fim de ano: faxinar a casa inteirinha, comprar os alimentos especiais para a ceia além de prepará-los sozinha, arrumar todos os armários da casa para finalmente terminar o dia completamente exausta.

Perceberam que eu só comentei aqui a arrumação do meu próprio armário de roupas?

Pois é, parei por aí. Nada de lavar cada copo, cada louça. Nada de limpar paredes, pintar a casa, escolher roupas especiais. Deleguei tudo o que pude para a minha secretária do lar e não verifiquei nada do que ela fez. Eu não tinha tempo. Eu só pensava em encontrar meus sapatos vermelhos!

Passei o fim de ano descalça, pois percebi que tenho que reaprender a confeccionar meus próprios sapatos vermelhos. Como? Não tenho a menor idéia.

Sei que passarei por momentos de irritação, frustração e até mesmo de revolta por não ter mais a habilidade que tinha quando fiz eu mesma meus primeiros sapatinhos vermelhos. Não posso pedir a ajuda de ninguém para criá-los, porque só me servirão se sua autoria for completamente minha.

Eles não serão em nada iguais aos primeiros, estou certa. Mas também acho que não me cairiam bem. A moda já não é a mesma e a minha idade também...

Respirei fundo nos primeiros momentos do novo ano e comecei a criação dos meus novos sapatos. Ainda estou no estágio de rabiscar e testar qual o modelo será o melhor, mas sei que com esse pequeno passo já começo a me recriar.

Os Sapatinhos Vermelhos





O conto a seguir, foi retirado do livro "Mulheres que Correm com os Lobos" de Clarissa Pinkola Estés, escritora e analista junguiana:

 
Era uma vez uma pobre órfã que não tinha sapatos. Essa criança guardava os trapos que pudesse encontrar e, com o tempo, conseguiu costurar um par de sapatos vermelhos. Eles eram grosseiros, mas ela os adorava. Eles faziam com que ela se sentisse rica, apesar de ela passar seus dias procurando alimento nos bosques espinhosos até muito depois de escurecer.

Um dia, porém, quando ela vinha caminhando com dificuldade pela estrada, maltrapilha e com seus sapatos vermelhos, uma carruagem dourada parou ao seu lado. Dentro dela, havia uma senhora de idade que lhe disse que ia levá-la para casa e tratá-la como se fosse sua própria filhinha. E assim lá foram elas para a casa da rica senhora, e o cabelo da menina foi lavado e penteado. Deram-lhe roupas de baixo de um branco puríssimo, um belo vestido de lã, meias brancas e reluzentes sapatos pretos. Quando a menina perguntou pelas roupas velhas, e em especial pelos sapatos vermelhos, a senhora disse que as roupas estavam tão imundas e os sapatos eram tão ridículos que ela os jogara no fogo, onde se reduziram a cinzas. A menina ficou muito triste, pois, mesmo com toda a fortuna que a cercava, os modestos sapatos vermelhos feitos por suas próprias mãos haviam lhe dado uma felicidade imensa. Agora, ela era obrigada a ficar sentada quieta o tempo todo, a caminhar sem saltitar e a não falar a não ser que falassem com ela, mas uma chama secreta começou a arder no seu coração e ela continuou a suspirar pelos seus velhos sapatos vermelhos mais do que por qualquer outra coisa.

Como a menina tinha idade suficiente para ser crismada no dia do sacramento, a senhora levou-a a um velho sapateiro aleijado para que ele fizesse um par de sapatos especiais para a ocasião. Na vitrina do sapateiro havia um par de lindíssimos sapatos vermelhos do melhor couro. Eles praticamente refulgiam. Pois, apesar de sapatos vermelhos serem escandalosos para se ir à igreja, a menina, que só sabia decidir com seu coração faminto, escolheu os sapatos vermelhos. A vista da velha senhora era tão fraca que ela, sem perceber a cor dos sapatos, pagou por eles. O velho sapateiro piscou para a menina e embrulhou os sapatos.

No dia seguinte, os membros da congregação ficaram alvoroçados com os sapatos da menina. Os sapatos vermelhos brilhavam como maçãs polidas, como corações, como ameixas tingidas de vermelho. Todos olhavam carrancudos. Até os ícones na parede, até as estátuas não tiravam os olhos reprovadores dos sapatos. A menina, no entanto, gostava cada vez mais deles. Por isso, quando o bispo começou a salmodiar, o coro a cantarolar, o órgão a soar, a menina não achou que nada disso fosse mais belo que os seus sapatos vermelhos.

Antes do final do dia, a velha senhora já estava informada dos sapatos vermelhos da sua protegida

.— Nunca, nunca mais use esses sapatos vermelhos! — ameaçou a velha. No domingo seguinte, porém, a menina não conseguiu deixar de preferir os sapatos vermelhos aos pretos, e ela e a velha senhora caminharam até a igreja como de costume.

À porta do templo estava um velho soldado com o braço numa tipóia. Ele usava uma jaqueta curta e tinha a barba ruiva. Ele fez uma mesura e pediu permissão para tirar o pó dos sapatos da menina. Ela estendeu o pé, e ele tamborilou na sola dos sapatos uma musiquinha compassada que lhe deu cócegas nas solas dos pés.— Lembre-se de ficar para o baile — disse ele, sorrindo e piscando um olho para ela. Mais uma vez, todos lançaram olhares reprovadores para os sapatos vermelhos da menina. Ela, no entanto, adorava tanto esses sapatos que brilhavam como o carmim, como framboesas, como romãs, que não conseguia pensar em mais nada, que mal prestou atenção no culto. Estava tão ocupada virando os pés para lá e para cá para admirar os sapatos que se esqueceu de cantar.

— Que belas sapatilhas! — exclamou o soldado ferido quando ela e a velha senhora saíam da igreja.

Essas palavras fizeram a menina dar alguns rodopios ali mesmo. No entanto, depois que seus pés começaram a se movimentar, eles não queriam mais parar; e ela atravessou dançando os canteiros e dobrou a esquina da igreja até dar a impressão de ter perdido totalmente o controle de si mesma. Ela dançou uma gavota, depois uma csárdás e saiu valsando pelos campos do outro lado da estrada. O cocheiro da velha senhora saltou do seu banco e correu atrás da menina. Ele a segurou e a trouxe de volta para a carruagem, mas os pés da menina, nos sapatos vermelhos, continuavam a dançar no ar como se ainda estivessem no chão. A velha senhora e o cocheiro começaram a puxar e a forçar, na tentativa de arrancar os sapatos vermelhos dos pés da menina. Foi um horror. Só se viam chapéus caídos e pernas que escoiceavam, mas afinal os pés da menina se acalmaram.

De volta à casa, a velha senhora enfiou os sapatos vermelhos no alto de uma prateleira e avisou a menina para nunca mais calçá-los. No entanto, a menina não conseguia deixar de olhar para eles e ansiar por eles. Para ela, eles eram o que havia de mais lindo no planeta.

Não muito tempo depois, o destino quis que a velha senhora caísse de cama e, assim que os médicos saíram, a menina entrou sorrateira no quarto onde eram guardados os sapatos vermelhos. Ela os contemplou lá no alto da prateleira. Seu olhar tornou-se fixo e provocou nela um desejo tão forte que a menina tirou os sapatos da prateleira e os calçou, na crença de que eles não lhe fariam mal algum. Só que, no instante em que eles tocaram seus calcanhares e seus dedos, ela foi dominada pelo impulso de dançar.

E saiu dançando porta afora e escada abaixo, primeiro uma gavota, depois uma csárdás e em seguida giros arrojados de valsa em rápida sucessão. A menina estava num momento de glória e não percebeu que enfrentava dificuldades até que teve vontade de dançar para a esquerda e os sapatos insistiram em dançar para a direita.

Quando ela queria dançar em círculos, os sapatos teimavam em seguir em linha reta. E, como eram os sapatos que comandavam a menina, em vez do contrário, eles a fizeram dançar estrada abaixo, atravessar os campos enlameados e penetrar na floresta soturna e sombria.

Ali, encostado numa árvore, estava o velho soldado de barba ruiva, com o braço na tipóia e usando sua jaqueta curta.
— Puxa — disse ele —, que belas sapatilhas!

Apavorada, a menina tentou tirar os sapatos, mas por mais que os puxasse, eles continuavam firmes. Ela saltava primeiro num pé, depois no outro, para tentar tirá-los, mas o pé que estava no chão continuava dançando assim mesmo e o outro pé na sua mão também fazia seu papel na dança.

E assim, ela dançava e dançava sem parar. Por sobre os montes mais altos e pelos vales afora, na chuva, na neve e ao sol, ela dançava. Ela dançava na noite mais escura, no amanhecer e continuava dançando também ao escurecer. Só que não era uma dança agradável. Era terrível, e não havia descanso para a menina.

Ela entrou no adro de uma igreja e ali um espírito guardião não quis permitir que ela entrasse.

— Você irá dançar com esses sapatos vermelhos — proclamou o espírito — até que fique como uma alma penada, como um fantasma, até que sua pele pareça suspensa dos ossos, até que não sobre nada de você a não ser entranhas dançando. Você irá dançar de porta em porta por todas as aldeias e baterá três vezes a cada porta. E, quando as pessoas espiarem quem é, verão que é você e temerão que seu destino se abata sobre elas. Dancem, sapatos vermelhos. Vocês devem dançar.


A menina implorou misericórdia mas, antes que pudesse continuar a suplicar, os sapatos vermelhos a levaram embora. Ela dançou por cima das urzes, através dos riachos, por cima de cercas-vivas, sem parar. Ainda dançava quando voltou à sua antiga casa e viu pessoas de luto. A velha senhora que a havia abrigado estava morta.

Mesmo assim, ela passou dançando. Dançava porque não podia deixar de dançar. Totalmente exausta e apavorada, ela entrou dançando numa floresta onde morava o carrasco da cidade. E o machado na parede começou a tremer assim que pressentiu que ela se aproximava.

— Por favor! — implorou ela ao carrasco quando passou pela sua porta. — Por favor, corte fora meus sapatos para me livrar desse destino horrível.

O carrasco cortou fora as tiras dos sapatos vermelhos com o machado, mas os sapatos não se soltaram dos pés da menina. Ela se lamentou, então, dizendo que sua vida não valia mesmo nada e que ele deveria amputar-lhe os pés. Foi o que ele fez.

Com isso, os sapatos vermelhos com os pés neles continuaram dançando floresta afora e morro acima até desaparecerem. A menina era, agora, uma pobre aleijada e teve de descobrir um jeito de sobreviver no mundo trabalhando como criada. E nunca mais ansiou por sapatos vermelhos.